Você trabalha bem, entrega, responde o cliente e corre atrás.

Mesmo assim, na hora do orçamento, alguém pergunta se você cobre o preço de outro profissional.

Isso não acontece só porque existe alguém mais barato. Acontece porque, na cabeça do cliente, você ainda é "mais uma opção".

E entre opções que parecem iguais, o único critério que sobra é o preço.

O problema não é o seu trabalho. É a impressão que você deixa antes de qualquer conversa começar.

A impressão que antecede a conversa

Antes de pedir orçamento, o cliente já criou uma impressão sobre você.

Ela pode ter vindo do Instagram, de uma indicação ou do seu silêncio, porque você não deixou claro por que alguém deveria procurar você.

E essa impressão, formada antes de qualquer reunião, é o que determina se a conversa começa em "me explica como você trabalha" ou em "quanto você cobra."

Um arquiteto pode entregar projetos bonitos e cuidar da obra. Mas se ele só se apresenta como "arquiteto", entra numa lista com vários outros.

Um contador pode ser excelente no que faz, mas se a pessoa não entende qual problema específico ele resolve melhor, vai comparar propostas e escolher a menor.

Um personal trainer posta treino, alimentação e antes e depois. A pessoa pergunta o valor e some, porque enxergou mais um personal vendendo treino.

Competência é o que você sabe fazer. A imagem que o cliente cria é o motivo para ele chamar você. Uma coisa não puxa a outra sozinha.

"Você pode ser muito bom e continuar invisível. Enquanto isso, alguém menos preparado, mas fácil de entender, vira o primeiro nome lembrado quando o problema aparece."

Lembrado ou comparado

Pensa em dois profissionais da mesma área.

O primeiro mostra projetos, reformas, decoração e acompanhamento de obra.

As pessoas entendem que ele sabe muita coisa, mas não sabem por que deveriam ligar primeiro para ele quando surge um problema específico.

O segundo fala de uma situação que o cliente reconhece na hora. Quando esse problema aparece, o nome dele surge na conversa.

Ele não precisa gritar mais alto. Só deixou uma associação simples na cabeça das pessoas.

Não é uma bio cheia de palavras difíceis. É repetir qual problema você resolve e por que isso importa.

Quando você não escolhe essa imagem, o mercado preenche o vazio.

O cliente pode enxergar você como genérico, como uma opção entre várias, ou simplesmente esquecer o seu nome.

E aí o preço vira o único jeito de comparar.

Uma dermatologista pode atender várias demandas. Mas se fica conhecida por ajudar adultos com acne, quem enfrenta esse problema lembra dela primeiro.

"Atendimento completo", por outro lado, não cria nenhuma imagem clara. Pode significar qualquer coisa. E quando tudo parece igual, o preço domina a decisão.

O que é identidade de mercado

Identidade de mercado é uma frase que alguém repete sem esforço: "Quando eu passo por isso, procuro essa pessoa."

Não precisa ser bonita. Precisa ser clara.

Um contador pode atender várias áreas, mas ficar conhecido por organizar a vida fiscal de pequenos empresários perdidos entre imposto, nota e prazo.

Um advogado pode atender casos diferentes, mas falar de forma direta com quem enfrenta um problema recorrente que tira o sono.

Você não está dizendo que só sabe fazer uma coisa. Está escolhendo por qual problema quer ser lembrado primeiro.

"Ninguém procura um profissional porque ele é o melhor. A pessoa procura alguém que entende a situação dela e sabe conduzir o próximo passo."

Encher o perfil de serviços, cursos e promessas de qualidade deixa o cliente mais perdido, não mais convencido. Ele não quer decifrar o seu currículo. Quer reconhecer o próprio problema.

Antes de contratar, a pessoa não precisa conhecer tudo o que você faz. Ela precisa perceber que você entende o que está tirando o sono dela. O restante aparece durante a conversa.

Três perguntas para começar

Não é um exercício teórico. São três perguntas diretas que, respondidas com honestidade, entregam o núcleo da sua identidade de mercado.

Qual problema você resolve com mais frequência e segurança?

Escolha uma situação real da sua rotina, não algo bonito para postar. O que aparece repetido no seu WhatsApp? O que clientes perguntam antes mesmo de fechar?

Quem mais sofre com esse problema?

Não fale apenas "empresas" ou "clientes". Pense em quem reconhece essa dificuldade na hora e quer resolver logo.

Quanto mais específica a resposta, mais ela ressoa com quem precisa de você.

Qual jeito de trabalhar muda o resultado para essa pessoa?

Pode ser explicar algo confuso de forma simples, acompanhar mais de perto, evitar erros e atrasos.

Fale do que o cliente percebe, não do que você executa.

Você não precisa inventar um personagem. Escolha uma parte real da sua experiência e fale dela com clareza.

Comunicação que trabalha antes de você

Escolher o espaço não basta se a sua comunicação continua parecendo a de todo mundo.

Dizer "sou advogado", "sou corretor" ou "sou contador" informa a sua profissão, mas não explica por que alguém deve procurar você quando o problema aparece. Troque a descrição genérica por uma frase ligada a uma dor reconhecível.

Depois, repita a mesma ideia. O seu perfil, a sua apresentação e a sua proposta precisam deixar a mesma impressão.

Quando alguém indicar o seu nome, precisa conseguir explicar em poucas palavras por que chamou você.

Muita gente troca a mensagem toda semana porque enjoou dela. Fala de atendimento, resultado, preço, experiência e rapidez.

Quem acompanha não consegue associar o nome a nada.

Você cansou de ouvir a própria mensagem. O cliente ainda não ouviu direito.

"Sua comunicação precisa trabalhar antes da conversa. Quando o cliente entende o problema que você resolve, ele não trata seu serviço como uma tabela. Ele pergunta se você consegue ajudar no caso dele."

É exatamente esse trabalho que o Market ID estrutura com prestadores de serviços e profissionais liberais: encontrar o problema pelo qual você quer ser lembrado, construir a frase que comunica isso com clareza e garantir que cada ponto de contato com o mercado reforce a mesma posição.

Não é branding. Não é posicionamento sofisticado.

É a decisão mais simples e mais ignorada que existe: escolher como você quer ser lembrado antes que o mercado escolha por você.

A pergunta desta edição

Se alguém que te conhece fosse te indicar para um amigo agora, em uma frase, o que essa pessoa diria sobre o problema que você resolve?

Me responda nos comentários ou por mensagem direta. Essa conversa importa.

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