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State of Product reveals what AI still hasn’t solved
80% of product professionals say AI helps them ship faster, but customers aren’t seeing value any sooner. Atlassian’s State of Product 2027 explores the gains AI is delivering and the challenges that remain, from decision-making that hasn’t kept pace to gut instinct overriding customer evidence.

Qual foi a última vez que você comprou alguma coisa de alguém que ficou te empurrando para comprar?
Pensa de verdade.
O vendedor insistente do shopping. O perfil que aparece todo dia oferecendo a mesma coisa. O e-mail de "última oportunidade" pela quinta vez no mês. O anúncio que persegue você de site em site.
Quanto você comprou de cada um deles? Eu também não lembro de nenhum.
E essa pode ser a notícia mais incômoda da sua semana, porque é exatamente isso que muitos profissionais fazem com os próprios clientes sem perceber.
Acham que estão vendendo, quando na verdade estão virando o tipo de mensagem que o cérebro descarta antes mesmo de a pessoa decidir se tem interesse.
Insistir não é ser notado. Insistir é entrar na caixa de spam.

A decisão que acontece antes da decisão
O psicólogo Daniel Kahneman, no livro "Rápido e Devagar", popularizou a ideia de que o cérebro opera de duas formas.
Uma é lenta, deliberada, analítica: é a que usamos para comparar propostas, ler contratos, fazer contas.
A outra é automática e veloz, funciona o tempo todo em segundo plano e decide, em frações de segundo, o que merece a nossa atenção e o que pode ser ignorado.
Essa segunda forma de pensar não pede licença.
Quando um cliente em potencial passa pelo seu perfil, pelo seu e-mail ou pela sua página de vendas, uma triagem acontece antes de ele sequer pensar "isso me interessa?".
É como se existisse uma caixa de spam interna, que separa o que parece novo e relevante do que parece mais do mesmo.
Pesquisas sobre atenção visual, como as da psicóloga Anne Treisman nos anos 80, ajudam a entender esse mecanismo.
Elementos que se diferenciam claramente do que está ao redor são percebidos quase de imediato, sem que a pessoa precise procurar por eles.
O que se parece com todo o resto, por outro lado, passa despercebido.
Aplicado ao seu mercado, isso significa que a primeira batalha pela atenção é travada num território em que o argumento racional ainda nem entrou. Antes de o cliente avaliar a sua proposta, ele já decidiu se ela merece ser avaliada.
Isso ajuda a explicar um fenômeno que intriga muita gente: propostas excelentes que simplesmente não são lidas, páginas bem construídas que não geram contato, conteúdos valiosos que ninguém abre.
Não é que o cliente tenha avaliado e rejeitado. É que ele nem chegou a avaliar.
O filtro automático o poupou do esforço, porque nada naquela mensagem sinalizou que valia a pena parar.
Muitas propostas boas morrem antes de serem lidas.

O problema não é falar pouco. É parecer igual
Existe um equívoco comum de quem percebe que não está sendo notado: achar que precisa gritar mais alto.
Postar mais, anunciar mais, mandar mais mensagens, repetir mais a oferta.
Só que o destaque visual funciona por contraste, não por volume.
Imagina uma sala em que todos usam camisa branca. Quem chega de camisa vermelha é notado de imediato, sem precisar levantar a voz.
Agora imagina que, em vez de trocar de cor, essa pessoa resolva ficar de camisa branca e falar mais alto.
Vai ser percebida, claro, mas como alguém incômodo, não como alguém interessante.
É isso que acontece com a maioria dos perfis profissionais.
A promessa é parecida, o tom é parecido, o formato dos posts é parecido, as palavras são as mesmas.
Quando o cérebro do cliente passa por ali, a triagem automática enxerga mais uma camisa branca, e segue adiante.
O destaque nasce de contraste, não de volume.
Isso também explica por que tanta gente se sente frustrada depois de ampliar a frequência de publicações sem ver retorno.
Mais do mesmo, em maior quantidade, continua sendo mais do mesmo.
E há ainda um efeito colateral: quanto mais você repete a mesma mensagem, mais familiar ela fica, e o que é familiar demais deixa de chamar atenção.
A repetição, que parecia um reforço, vira camuflagem.

O que realmente cria contraste
Contraste verdadeiro não vem de efeitos visuais nem de frases de impacto copiadas.
Vem de algo que você realmente faz ou pensa de forma diferente. Existem alguns caminhos práticos para identificar isso no seu trabalho.
Uma tese que só você defende. Qual é a opinião que você tem sobre o seu mercado e que a maioria dos concorrentes evita ou não enxerga?
Quando você nomeia essa visão com clareza, ela vira um ponto de referência.
Uma metodologia com nome e estrutura própria. Duas pessoas podem fazer um trabalho parecido, mas quem tem um método identificável é lembrado com mais facilidade.
Esse é um dos pilares do trabalho que faço dentro do Market ID: transformar a forma como você já trabalha em algo que o mercado consegue reconhecer.
Um recorte de público que ninguém ocupa. Quanto mais específico o público, mais fácil é falar diretamente para ele e menos você disputa com todos os outros.
Uma prova concreta. Resultados, histórias, processos visíveis. O cérebro dá mais atenção ao que é específico do que ao que é genérico.
Nenhum desses caminhos exige que você invente algo que não existe.
Todos partem do que já está no seu trabalho, no seu histórico, na forma como você conduz os seus clientes.
O trabalho é de extração e de nomeação, não de fabricação.
E é justamente por isso que o contraste construído dessa forma é difícil de copiar: ele nasce da sua trajetória, não de uma fórmula.
O contraste que vale a pena nasce da sua trajetória, não de uma fórmula.
Esses quatro pontos não são técnicas isoladas.
Funcionam melhor quando conversam entre si, e é para isso que serve a hierarquia de interesses: ela ajuda a decidir qual dessas características colocar em primeiro plano para cada tipo de cliente.

O exercício dos três segundos
Existe um teste simples que você pode fazer hoje.
Abre o seu perfil, a sua página principal ou o seu cartão de apresentação e olha por três segundos. Fecha. Agora responde: o que ficou na memória?
Se a resposta for algo como "um profissional competente que ajuda empresas a crescer", você tem um problema. Essa frase poderia descrever milhares de pessoas.
Se a resposta for algo específico, como o tipo de cliente que você atende, o problema que você resolve ou a forma única como você trabalha, você está no caminho certo.
Esse exercício é desconfortável justamente porque a gente conhece o próprio trabalho tão bem que perde a capacidade de enxergá-lo de fora.
O que parece óbvio para você, muitas vezes, é exatamente o que ninguém mais entende de primeira.
Faz também o teste com alguém de fora. Pede a cinco pessoas que olhem o seu perfil por três segundos e te digam o que lembram.
As respostas costumam ser bem reveladoras, porque mostram o que o mundo enxerga, e não o que você imagina ter comunicado.
Se ninguém consegue descrever você em uma frase específica, o mercado não consegue indicar você.
Outro detalhe que o teste revela: com frequência, a primeira coisa que as pessoas lembram não é o que você considera mais importante, e sim o que ficou mais evidente na forma como você se apresentou.
Ajustar essa diferença é parte central do trabalho de posicionamento.
Isso aparece com clareza em ambientes como o BNI, em que cada participante tem poucos segundos de apresentação semanal.
Quem usa esse tempo para listar serviços é esquecido.
Quem usa para deixar uma imagem clara e específica de quem procura e do que resolve é lembrado e indicado.

Parar de pedir atenção
Existe uma diferença profunda entre pedir atenção e merecer atenção.
Quem pede atenção insiste, repete, grita, lembra, cobra. Quem merece atenção constrói algo que se destaca por si só, sem precisar de muita explicação.
A diferença entre ser escolhido e ser ignorado raramente está no quanto você fala. Está em quanto o que você diz se diferencia do que todo mundo já ouviu.
Pensa na quantidade de energia que se gasta em tentar compensar a falta de contraste com esforço: mais horas, mais publicações, mais abordagens, mais descontos.
Tudo isso é custo que poderia ser evitado se a mensagem fosse mais nítida desde o início.
Quem tem contraste não precisa de tanto esforço para ser lembrado.
A boa notícia é que esse tipo de diferença não depende de um orçamento maior nem de uma equipe grande.
Depende de clareza sobre o que você faz de diferente e de coragem para comunicar isso sem se esconder atrás de promessas genéricas.
Você pode passar mais anos tentando convencer, aumentando o volume e esperando que o cérebro do seu cliente abra uma exceção.
Ou pode investir tempo em descobrir o que, no seu trabalho, é realmente diferente, e deixar que isso faça o trabalho pesado de chamar atenção.
Qual seria a primeira coisa que alguém lembraria de você depois de três segundos olhando o seu perfil?
Me conta comentando no Instagram @luizfernandocarvalhorj ou no YouTube @insidemarketid, onde eu aprofundo esse tema toda semana.
Se você sente que está pedindo atenção demais e sendo notado de menos, é exatamente esse trabalho de contraste e de posicionamento que a gente faz dentro da mentoria Market ID.
Fale comigo e entenda como funciona.

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