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Você passou anos trabalhando.

Resolve problemas, responde cliente no WhatsApp o dia inteiro, carrega uma bagagem que levou muito tempo para construir.

E mesmo assim, no fim do mês, a sensação é de que está trabalhando demais para ganhar pouco.

Aí aparece alguém mais novo cobrando barato e você sente que precisa baixar também.

Não precisa. O problema não é sua idade nem sua experiência. É como você está apresentando essa experiência antes de qualquer conversa de preço começar.

O erro que profissionais experientes cometem

Muita gente abre a conversa do jeito errado.

Lista os cursos, fala das empresas por onde passou, conta há quantos anos trabalha na área e espera que isso, sozinho, justifique um preço mais alto.

O cliente escuta. Respeita. E depois pede mais dois orçamentos.

Isso acontece porque currículo responde uma pergunta que o cliente nem sempre está fazendo. Você está tentando provar que sabe trabalhar.

Mas ele quer saber se você entende o problema que está tirando o sono dele agora.

Pensa em dois eletricistas chamados para olhar uma reforma.

Um fala: "Trabalho com elétrica há vinte anos, tenho curso, já fiz obra de todo tipo."

O outro entra, olha a instalação e fala: "Se você fechar essa parede desse jeito, vai precisar quebrar tudo depois para puxar os pontos que faltam.

E se a carga ficar mal distribuída, esse quadro vai desarmar quando você ligar alguns aparelhos ao mesmo tempo."

O segundo não precisou diminuir a própria experiência. Ele usou a experiência para enxergar o que o cliente ainda não viu.

"Você para de pedir respeito pelos anos que acumulou e começa a mostrar o que esses anos permitem enxergar."

De currículo para leitura de problema

Sua experiência tem valor. Mas ela precisa virar uma frase que o cliente entenda.

Em vez de "faço isso há muito tempo", diga: "Eu sei onde esse tipo de serviço costuma dar errado antes de virar prejuízo."

Um contador experiente não precisa abrir com "tenho duas décadas de escritório".

Ele pode explicar que reconhece quando uma empresa está pagando imposto errado sem perceber, antes que a conta apareça com multa e juros.

Um corretor pode dizer que sabe identificar sinais de um imóvel que parece bom na visita, mas vira dor de cabeça depois da assinatura.

Um personal pode mostrar que percebe quando alguém está insistindo num exercício que vai travar o progresso ou piorar uma dor antiga.

Cada problema que você já viu, cada retrabalho que conseguiu evitar, cada decisão ruim que aprendeu a enxergar cedo pode virar um motivo simples para o cliente escolher você.

Um exercício direto: pegue os últimos trabalhos que você fez e pergunte: onde as pessoas costumam errar antes de me chamar?

O que elas deixam passar? Que prejuízo aparece quando tentam resolver sem orientação?

As respostas mostram a parte da sua experiência que merece aparecer primeiro.

O que muda na conversa de venda

Quando o cliente pergunta "quanto você cobra?", não responda correndo com um número.

Porque "quanto custa?" quase nunca significa só "quanto dinheiro vou gastar?" Muitas vezes significa: "Será que você entende o tamanho da encrenca?"

Se você responde com uma lista de tarefas, ele compara sua lista com a de qualquer outra pessoa.

"Quando o cliente entende que você já conhece o buraco antes de cair nele, ele para de perguntar quanto custa sua mão de obra. Começa a medir quanto custa errar sem você."

Um contador que fala "faço abertura de empresa, folha, imposto e declaração" parece igual a vários outros.

Mas "eu ajudo empresa pequena que está pagando imposto errado sem perceber, encontro onde o dinheiro está escapando e arrumo a casa antes de virar multa" é uma conversa completamente diferente.

A pessoa não está comprando uma lista de obrigações. Está tentando parar de perder dinheiro todo mês sem saber onde.

E quando você fala desse jeito, deixa claro que não chega apenas para preencher papel. Entra para resolver uma situação específica.

Como projetos de alto valor se constroem

Falar de um problema específico melhora a conversa. Mas preço alto só se sustenta quando você para de vender horas e começa a conduzir um projeto com começo, decisão e resultado bem definidos.

Uma tarefa vira comparação fácil. "Quanto custa fazer uma petição?" "Quanto custa montar um treino?" Quando a conversa para aí, o cliente procura quem entrega aquela mesma tarefa pelo menor número.

Um projeto é outra coisa.

Você começa entendendo o caso inteiro. Descobre o que aconteceu antes, identifica o que precisa ser decidido, aponta o que não pode ser feito no impulso e define os próximos passos.

Em vez de escrever "consultoria de três meses", descreva a situação: "Vamos revisar o caso, organizar as informações que estão faltando, decidir o caminho mais seguro e acompanhar as medidas combinadas até você sair dessa pendência."

A primeira frase vende tempo. A segunda vende direção num momento em que o cliente não sabe qual passo dar.

Antes de falar preço, faça perguntas que mostrem que você está olhando o problema inteiro.

  • Quanto custa deixar isso como está?

  • O que acontece se essa decisão sair errada?

  • Qual parte precisa estar resolvida para o cliente dormir tranquilo de novo?

Essas perguntas mostram que existe um custo em não agir, em agir tarde e em tentar economizar na pessoa errada.

O que o Market ID organiza nesse processo

Mudar a conversa de currículo para problema exige clareza sobre três pontos: quem você ajuda, que situação essa pessoa vive e o que você ajuda a proteger ou evitar.

É exatamente esse trabalho que o Market ID estrutura com prestadores de serviços e profissionais liberais que chegaram num ponto em que perceberam que experiência sozinha não converte mais.

Não é sobre criar um discurso novo. É sobre organizar o que você já sabe de um jeito que o cliente certo reconhece antes de perguntar o preço.

Quando isso está claro, sua apresentação para de parecer currículo e começa a parecer diagnóstico.

E quem chega com diagnóstico não compete com quem chegou com orçamento.

A pergunta desta edição

Se você tirasse todo o seu currículo da apresentação e ficasse só com o problema que você sabe evitar, o cliente ainda entenderia por que deveria te escolher?

Me responda nos comentários ou por mensagem direta. Essa conversa importa.

Para análises, frameworks práticos e a continuação dessa conversa, siga @luizfernandocarvalhorj no Instagram e assista aos vídeos novos toda segunda, quarta e sexta no canal @insidemarketid no YouTube.

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